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A Mulher Interior

A mulher por trás dos papéis

7 min de leitura

Em algum momento da vida, você pode perceber que sabe muito bem quem precisa ser para os outros, mas já não sabe com tanta clareza quem é quando ninguém está esperando nada de você.

Você é mãe.

Esposa.

Filha.

Profissional.

Cuidadora.

Aquela que organiza, resolve, aconselha, acolhe e segue em frente.

São papéis importantes. Alguns deles acompanham você há muitos anos e fazem parte da sua história, dos seus vínculos e da maneira como você construiu a própria identidade.

Mas existe uma mulher antes, durante e além de todos esses papéis.

E talvez ela esteja pedindo espaço.

Quando os papéis começam a ocupar tudo

Há mulheres que chegam à clínica dizendo que estão cansadas, mas não conseguem explicar exatamente de quê.

A vida está funcionando. A família está bem. As responsabilidades estão sendo cumpridas.

Ainda assim, existe um desconforto.

Uma sensação de vazio.

Uma irritação que aparece sem motivo aparente.

A impressão de que todos precisam de alguma coisa, enquanto ninguém pergunta o que elas precisam.

Com o tempo, algumas mulheres se acostumam tanto a responder às necessidades dos outros que passam a ter dificuldade para reconhecer as próprias.

O desejo fica em segundo plano.

O descanso parece culpa.

O limite parece egoísmo.

O silêncio parece mais seguro do que dizer o que realmente pensam.

E, pouco a pouco, a mulher pode desaparecer atrás daquilo que precisa desempenhar.

Quem é você quando não precisa corresponder?

Essa pode ser uma pergunta desconcertante.

Porque fomos construindo nossa identidade também a partir dos olhares, das expectativas e dos vínculos que nos constituíram.

Aprendemos o que esperavam de nós.

Aprendemos como uma boa filha deveria ser.

Como uma boa esposa deveria agir.

Como uma boa mãe deveria cuidar.

Como uma mulher deveria se comportar.

E muitas dessas aprendizagens são tão antigas que já não percebemos quando estamos escolhendo livremente e quando estamos apenas repetindo aquilo que aprendemos que deveríamos ser.

É nesse ponto que o autoconhecimento ganha profundidade.

Conhecer-se não significa abandonar os papéis que fazem parte da sua vida.

Significa poder habitá-los sem desaparecer dentro deles.

O que você deseja?

Na clínica, essa pergunta pode ganhar um espaço que talvez tenha sido ocupado durante muito tempo por outras vozes.

O que você sente?

O que deseja?

O que tem suportado?

O que gostaria de mudar?

O que você deixou para depois?

O que ainda espera viver?

A escuta psicanalítica acompanha essas perguntas sem oferecer respostas prontas.

A sua história vai sendo revisitada pela palavra. Memórias, relações, conflitos, escolhas, sentimentos e repetições podem adquirir novos sentidos à medida que você consegue falar sobre eles.

Às vezes, você descobre que determinada escolha que parecia tão natural estava profundamente ligada à necessidade de ser aceita.

Outras vezes, percebe que uma dificuldade de se posicionar nasceu de uma longa história de silenciamento.

E pode reconhecer que aquilo que hoje chama de “meu jeito” também foi, em algum momento, uma maneira de se proteger.

Compreender esses movimentos internos permite que você se relacione consigo mesma com mais consciência.

A mulher que permanece

Existe uma diferença entre cumprir papéis e perder-se neles.

Você pode continuar sendo mãe, esposa, profissional, filha e tantas outras coisas que fazem parte da sua vida.

Mas também pode voltar a escutar a mulher que existe por trás de tudo isso.

Aquela que tem desejos.

Que muda.

Que se contradiz.

Que se cansa.

Que ainda sonha.

Que guarda perguntas.

Que talvez tenha deixado algumas partes de si esperando por um momento que nunca chegou.

Talvez esse momento possa começar agora.

Não para descobrir uma mulher completamente diferente, mas para reencontrar aquela que sempre esteve aí, mesmo quando a vida exigiu que tantas outras versões suas ocupassem a cena.

Porque antes de ser todos os papéis que desempenha, existe uma mulher que precisa também ser vivida por você.

E talvez seja hora de escutá-la.

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Os atendimentos do INSTITUTO LUCIANA BORGES são on-line, com escuta e sigilo.