Escrita
Escrever como forma de elaborar
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Há coisas que você pensa muitas vezes, mas nunca consegue dizer.
Há sentimentos que permanecem confusos porque ainda não encontraram palavras.
E há experiências que continuam ocupando espaço dentro de você justamente porque nunca puderam ser verdadeiramente narradas.
Escrever pode abrir uma passagem.
Quando colocamos no papel aquilo que sentimos, pensamos ou lembramos, algo que estava disperso dentro de nós começa a ganhar forma. A palavra organiza a experiência sem necessariamente encerrá-la. Ela permite olhar para aquilo que antes parecia apenas um emaranhado de emoções.
Por isso, a escrita pode ser uma importante ferramenta de elaboração.
Quando aquilo que sentimos encontra palavras
Nem sempre sabemos imediatamente o que estamos sentindo.
Às vezes, sabemos apenas que estamos cansadas.
Irritadas.
Tristes.
Inquietas.
Distantes de nós mesmas.
Começar a escrever pode nos aproximar daquilo que ainda não conseguimos compreender.
Uma frase puxa uma lembrança.
Uma lembrança desperta outra.
Uma pergunta conduz a um sentimento.
E, pouco a pouco, aquilo que parecia sem nome começa a revelar seus contornos.
Escrever pode nos ajudar a perceber relações entre acontecimentos, sentimentos e escolhas que, enquanto permanecem apenas dentro da nossa cabeça, parecem desconectados.
Escrever não é encontrar respostas prontas
A escrita terapêutica não precisa ser bonita.
Não precisa ser organizada.
Não precisa ter começo, meio e fim.
Você não precisa escrever como escritora.
Pode escrever uma frase.
Uma carta que nunca será enviada.
Uma lembrança.
Uma pergunta.
Uma conversa imaginária.
Pode escrever aquilo que gostaria de ter dito e não disse.
Pode escrever sobre uma dor que ainda não consegue explicar.
O valor está justamente na possibilidade de deixar a palavra circular.
Quando escrevemos sem a preocupação de produzir um texto perfeito, podemos encontrar pensamentos que normalmente interrompemos, sentimentos que costumamos esconder e perguntas que evitamos fazer.
A escrita pode revelar aquilo que a pressa cotidiana não permite escutar.
Escrever para elaborar a própria história
Elaborar não significa apagar o que aconteceu.
Também não significa transformar uma experiência dolorosa em algo bonito.
Elaborar é poder se aproximar daquilo que foi vivido, reconhecendo seus efeitos e encontrando novas maneiras de compreendê-lo e de se relacionar com essa história.
Na clínica psicanalítica, a palavra ocupa um lugar fundamental.
E a escrita pode caminhar ao lado desse processo.
Depois de uma sessão, por exemplo, uma frase pode continuar reverberando. Uma lembrança pode surgir dias depois. Uma pergunta pode permanecer.
Registrar essas experiências pode ajudar você a acompanhar os movimentos da própria subjetividade e perceber aquilo que está se transformando dentro de você.
Às vezes, você escreve sobre aquilo que aconteceu.
Em outras, acaba escrevendo sobre aquilo que aquilo despertou.
E essa diferença pode ser reveladora.
A mulher que escreve também se escuta
Existe algo muito particular no gesto de colocar uma experiência no papel.
Você deixa de apenas viver aquilo e começa também a observar como aquilo vive em você.
A escrita cria uma pequena distância entre você e o que sente.
E, nessa distância, pode surgir um olhar novo.
Você começa a perceber o que repete.
O que evita.
O que deseja.
O que ainda dói.
O que já mudou.
O que precisa ser dito.
O que talvez precise ser deixado para trás.
Por isso, escrever pode ser uma forma delicada e profunda de voltar para si.
Não para encontrar uma versão pronta de quem você é.
Mas para acompanhar, com mais presença, a mulher que você está se tornando.
Às vezes, a primeira forma de escutar o que existe dentro de nós é permitir que isso encontre uma palavra.
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Os atendimentos do INSTITUTO LUCIANA BORGES são on-line, com escuta e sigilo.